Mostra ‘Um rio não existe sozinho’ será trilha cultural no Parque do Museu Goeldi, em Belém

Mostra ‘Um rio não existe sozinho’ será trilha cultural no Parque do Museu Goeldi, em Belém | Cultura

A conexão entre a arte e a natureza é um tema que sempre fascinou pensadores e artistas ao longo da história. A exposição “Um rio não existe sozinho”, que acontece no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), em Belém, vem para reforçar esta relação, trazendo uma proposta inovadora e interativa. Com abertura marcada para o dia 3 de novembro e uma duração que se estende até dezembro, essa mostra apresenta obras de artistas de diferentes partes do Brasil, adaptadas para o ambiente natural que a cerca. Através dessa interação, visitantes terão a oportunidade de refletir sobre a importância da relação entre os humanos e o meio ambiente, especialmente em uma região tão rica em biodiversidade como a Amazônia.

A mostra e seu contexto atual

A Amazônia, frequentemente chamada de pulmão do mundo, é um dos ecossistemas mais importantes e vulneráveis do planeta. Com a COP 30 prestes a acontecer em Belém, a exposição “Um rio não existe sozinho” é uma oportunidade única de discutir e debater questões ambientais urgentes. O título da exposição carrega um simbolismo profundo, insinuando que, assim como um rio depende de sua bacia e dos seres que nele habitam, a arte também se alimenta da interação com o meio ambiente e os seres humanos.

A curadora do Instituto Tomie Ohtake, Sabrina Fontenele, destaca que a proposta foi elaborada a partir de um intenso diálogo entre artistas e especialistas em meio ambiente. Essa colaboração resultou em obras que não apenas embelezam o espaço, mas também provocam reflexões críticas sobre as emergências climáticas que enfrentamos.

Interatividade e o espaço verde do MPEG

Uma das características mais marcantes dessa exposição é a sua adaptabilidade ao espaço público e verde do MPEG. O Parque Zoobotânico, com seus 130 anos de história, é o cenário perfeito para essa interação, permitindo que os visitantes não apenas observem as obras, mas também se envolvam de forma sensorial com a natureza ao seu redor. Assim, aqueles que passeiam pelo parque poderão, por exemplo, interagir com a obra “Casa de Bicho”, de Gustavo Caboco, que convida o público a deitar sobre esteiras na grama e contemplar a relação intricada entre os seres vivos.

Esse aspecto interativo é um convite à contemplação, onde o canto dos pássaros e as diversas vegetações adicionam uma nova camada à experiência estética. As obras foram projetadas para que o público caminhe e explore, criando um diálogo não apenas visual, mas também sonoro e táctil com o ambiente.

A importância da arte na discussão ambiental

A arte contemporânea se apresenta como uma ferramenta poderosa para discutir questões sociais e ambientais, e a exposição “Um rio não existe sozinho” se encaixa perfeitamente neste contexto. Nela, a arte torna-se um meio para provocar pensamento crítico e conscientização em relação às mudanças climáticas e à relação do ser humano com a natureza. Ao integrar saberes científicos com a prática artística, a exposição destaca a importância da interconexão entre diferentes formas de conhecimento.

Sabrina Fontenele observa que as obras foram pensadas com o intuito de levar os visitantes a refletirem sobre como a arte pode impactar a forma como vemos e interagimos com o meio ambiente. Esse entendimento é crucial, especialmente em um momento em que as evidências das mudanças climáticas são cada vez mais alarmantes.

Destaques e obras marcantes da exposição

A mostra reúne uma rica diversidade de artistas de diferentes estados do Brasil, cada um trazendo suas próprias interpretações e perspectivas sobre a Amazônia e sua relação com a arte. Entre os artistas destacados, encontramos figuras como Sallisa Rosa, Rafael Segatto, Noara Quintana e Elaine Arruda. Cada um tem sua própria forma de expressar a conexão entre identidade, memória e natureza.

A obra “Entoar o vento e dançar marés”, de Elaine Arruda, por exemplo, é uma representação íntima da história familiar da artista. Este trabalho narra as vidas de sua avó e sua mãe, entrelaçando suas histórias pessoais com a cultura e a paisagem amazônica. A cortina em forma de casa típica da região e a combinação de elementos visuais que remetem às águas refletem a profundidade emocional e cultural que a artista busca transmitir.

Questões frequentes sobre a mostra e a importância cultural do Museu Goeldi

Esta exposição é, sem dúvida, um evento cultural relevante para Belém e para o Brasil como um todo. Aqui estão algumas perguntas que podem surgir para aqueles que desejam visitar ou entender melhor a mostra:

Qual é a importância do Museu Paraense Emílio Goeldi na cultura brasileira?

O MPEG, fundado em 1866, é a instituição científica mais antiga da Amazônia e desempenha um papel crucial na pesquisa e preservação da biodiversidade amazônica, além de ser um centro cultural.

Até quando a exposição ficará aberta ao público?

A mostra “Um rio não existe sozinho” poderá ser visitada até o final de dezembro.

Quais artistas estão participando da exposição?

A exposição conta com obras de artistas como Sallisa Rosa, Rafael Segatto, PV Dias, Noara Quintana, Elaine Arruda, entre outros.

Como as obras foram concebidas em relação ao ambiente do parque?

As obras foram elaboradas especificamente para o espaço do Parque Zoobotânico, resultando em instalações site-specific que convidam à interação com o ambiente.

Por que a exposição foi montada no Parque Zoobotânico?

O parque é um espaço que articula saberes científicos e tradicionais, tornando-o um local ideal para discutir questões relacionadas à natureza e à arte.

Qual o objetivo da curadora ao propor este diálogo entre arte e meio ambiente?

Sabrina Fontenele busca incentivar a reflexão crítica sobre as emergências climáticas e a relação da humanidade com o meio ambiente, utilizando a arte como uma forma de conscientização.

A última palavra sobre a conexão entre arte e meio ambiente

A exposição “Um rio não existe sozinho” no Parque do Museu Goeldi é uma oportunidade imperdível para aqueles que desejam experimentar a interseção entre a arte e a natureza de uma maneira significativa. Ao refletirmos sobre a importância da sustentabilidade e a relação intrínseca entre os seres vivos, somos convidados a adotar uma postura mais consciente e respeitosa para com o nosso planeta.

Enquanto acompanhamos as discussões sobre as mudanças climáticas e a preservação ambiental ganharem força no Brasil e no mundo, é crucial reconhecer eventos como este, que promovem não apenas a apreciação da arte, mas também um momento de reflexão e diálogo sobre o nosso futuro. A arte, em sua essência, pode catalisar experiências que transformam, inspiram e, acima de tudo, nos conectam. Portanto, que possamos aproveitar essa rica exposição e, ao fazê-lo, reforçar nosso compromisso com a proteção do nosso meio ambiente e a valorização cultural de nossas tradições.